Novo modelo para rodovias e ferrovias corrigirá distorções.
18/10/2012 -
12h34
Mariana Branco e Yara Aquino
Repórteres da Agência Brasil
Repórteres da Agência Brasil
Brasília - O Programa de Investimentos em Logística para
Rodovias e Ferrovias corrigirá distorções no transporte de cargas no país, entre
elas a baixa profissionalização dos caminhoneiros e a subutilização e
precariedade da malha ferroviária do país, disse hoje (18) o presidente da
Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo. Ele falou sobre
durante o Colóquio Infraestrutura para o Desenvolvimento, organizado pelo
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, órgão de assessoramento da
Presidência da República.
O presidente da EPL destacou que 70% do transporte de carga
rodoviária no país são feitos por autônomos ou empresas com até quatro veículos.
Segundo ele, o baixo nível de profissionalização e a remuneração deficiente não
permitem que se melhore a frota de caminhões. "A idade média da frota de
caminhões é 18 anos. Nossas mercadorias são transportadas por veículos de 25, 30
anos. Esse é um quadro preocupante", disse.
Figueiredo ressaltou que as linhas de crédito oferecidas nos
últimos anos para estimular a aquisição de novos veículos não funcionaram como
previsto. "A gente percebe que só as grandes empresas se interessaram. O
trabalhador autônomo ficou de fora, pois ele trabalha na informalidade. [O
autônomo] não é personalidade econômica que possa acessar uma linha de
crédito".
O presidente da EPL disse que o Programa de Investimentos para
Rodovias e Ferrovias corrigirá a situação, ao ofertar um crédito apropriado ao
perfil dos caminhoneiros autônomos. "O governo está criando uma linha de
financiamento em condições absolutamente adequadas, com prazo grande de carência
e amortização e taxas de juros muito baratas", disse.
Figueiredo afirmou também que o investimento na malha
ferroviária do país, por meio de parceria público-privada, mudará a configuração
do transporte de carga. Atualmente, 90% da movimentação de mercadorias no país
são via malha rodoviária. O motivo, segundo o presidente da EPL, é a
precariedade das ferrovias. "Temos infraestrutura construída há mais de 100
anos. O nível de serviço, tirando nichos modernos como Carajás e Vitória-Minas,
é de baixo padrão. Os preços são formados em uma relação de cliente dependente
de serviço monopolista", declarou. Segundo ele, o novo modelo condicionará a
concessão das ferrovias à modernização e criará um ambiente de competitividade.
"[O modelo] vai gerar ganhos tarifários porque o preço será formado em ambiente
competitivo", declarou.
Lançado pela presidenta Dilma Rousseff em 15 de agosto, o
Programa de Investimentos em Logística para Rodovias e Ferrovias prevê
aporte de R$ 133 bilhões em 25 anos. No total, serão concedidos 7,5 mil
quilômetros de rodovias e 10 mil quilômetros de ferrovias. Os investimentos, nos
próximos 25 anos, somarão R$ 133 bilhões, sendo que R$ 79,5 bilhões nos
primeiros cinco anos. Nas rodovias serão aplicados R$ 42 bilhões e nas ferrovias
R$ 91 bilhões.
Edição Beto Coura
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