04/08/2013 - 02h00
Fazenda propõe limitar concessão de seguro-desemprego e cortar
parcelas
NATUZA NERY - DE BRASÍLIARENATO ANDRADESECRETÁRIO DE
REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O avanço do gasto com seguro-desemprego e abono salarial, de 192% entre 2002
e 2012, fez com que setores do governo federal trabalhem para mudar as regras de
concessão dos benefícios.
Com mudança no seguro-desemprego, plano é
economizar R$ 5,8 bilhões por ano
Mesmo com a taxa de desemprego praticamente congelada em patamar
historicamente baixo, a previsão oficial é que o pagamento desses benefícios vai
consumir R$ 42,5 bilhões neste ano.
| Editoria de Arte/Folhapress |
Proposta encaminhada pelo Ministério da Fazenda ao Planalto, obtida pela
Folha, defende a elevação do período mínimo de trabalho para obtenção do
seguro, hoje de seis meses, para até 18 meses, e a redução das parcelas de
acordo com as solicitações.
A resistência à proposta é forte. O Ministério do Trabalho é contrário às
mudanças.
O cenário político também é desfavorável: boa parte das alterações em estudo
precisa passar pelo Congresso Nacional, que está com a base governista
conflagrada.
Os setores do governo que defendem mudanças para diminuir esses gastos a
partir de uma concessão mais controlada dos benefícios não entendem como essas
despesas tiveram um avanço recorde nos últimos anos, enquanto a taxa de
desemprego foi reduzida drasticamente.
Em 2003, a taxa média anual de desemprego era de 12,3%, e as despesas com
seguro e abono somavam R$ 13,7 bilhões. Em 2012, a taxa de pessoas sem trabalho
caiu para 5,5%, mas o gasto subiu para R$ 40 bilhões.
Para o Ministério do Trabalho, três fatores explicam o avanço dos gastos.
O aumento da formalidade é um deles --o número de trabalhadores com carteira
assinada (e, portanto, direito a benefícios) quase dobrou no período. Outros
motivos são o reajuste do benefício e a alta rotatividade do emprego.
Para integrantes da pasta, o gasto com pagamentos desses dois benefícios não
pode ser visto apenas pelo lado financeiro, especialmente o abono salarial, que
funciona como uma espécie de 14º salário para os trabalhadores que ganham, em
média, até dois salários mínimos.
No entender do Ministério do Trabalho, alterar as regras de concessão seria
mexer em direitos do trabalhador. O restante do governo discorda: as propostas
em estudo, dizem, visam racionalizar a concessão dos benefícios e fechar brechas
para fraudes.
O ministro Manoel Dias (Trabalho) ainda quer que o seguro-desemprego volte a
ser corrigido pela mesma fórmula aplicada ao salário mínimo. A Fazenda é contra.
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